Resumo das provas de Abu Dabhi e Mooloolaba – por João Vitor Novaes

Convidamos João Vítor Novaes, triatleta desde 1997, tendo destaque nacional quando era Júnior nos anos de 99 e 2000, participando de eventos internacionais organizados pela ITU, para escrever um pouco sobre as provas da ITU. Vejamos a sua primeira participação na AllTriNews comentando sobre as provas Abu Dabhi e Mooloolaba.


Na prova de Abu Dabhi masculino, prova sem alguns principais triatletas, como Gomez e os irmãos Brownlee’s, caiu de bandeja para Mario Mola. Mola terminou 2015 com uma grande natação na última prova do ano em Chicago, o que espantou a todos e o colocando de vez numa briga de medalha no Rio. Sim, não há como fazer análises de provas este ano sem pensar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Porém, na prova de estreia de 2016, ano olímpico, Mola voltou à sua modesta natação, saindo atrás do grupo principal, onde se localizava, Richard Murrayo, cotado como o 3º elemento do ano.

Depois de algumas voltas no ciclismo, com um percurso lindo, de altimetria monótona, vimos aquela clássica cena de um pelotão gigante de 60 atletas “passeando” com suas máquinas pela orla dos Emirados, ou seja, mais uma vez a prova vai para a corrida, por isso caiu de bandeja para Mola, exímio corredor e sem a ausência de Gomez e dos irmão britânicos, Mola correu como o sabe fazer.

O público pagante da TV quer a rivalidade, quer que algo “dê errado” para ficar difícil para Mola e, dessa vez, ocorreu: ele foi penalizado por ter deixado cair uma touca na saída da natação – 15″ no Penalty Box que poderiam ser “pagos” em qualquer uma das 4 voltas da corrida.

Você fica animado, vê um Mário Mola tentando abrir 15 segundos de Murray e cia, mas não consegue, pensa que vai ser difícil, que ele está pensando em uma estratégia, mas nada disso.

Quando ele ganha uns 10 segundos de vantagem, pára, cumpre os 15″ e volta no calcanhar de Murray. O que ele faz? Em poucos metros já está ali, pouco depois quebra o pelote e só Murray acompanha, e quando você começa a pensar que um sprint pode ser a chance de Murray, o espanhol engata a 6ª marcha, vai embora e cruza a linha com mais  15″ de vantagem.

Já na prova feminina, antigas figuras voltaram à cena no ano olímpico: Jodie Stimpson, Helen Jenkins, Lisa Norden e Nicola Spirig.

Como de costume, mas excelente para o triathlon brasileiro e para a nossa torcida, vimos o nome de Pâmela várias vezes na natação com suas amigas “peixes”, e, no ciclismo, depois de algum tempo, um enorme pelotão forma-se. O mérito fica para o “trem suíço”: Nicola Spirig trazendo todo mundo com a importante ajuda de Ashleigh Gentle.

Não tão previsível, mas não de espantar-se, uma queda ocorre no pelotão pouco antes da T2 e, infelizmente, tira Spirig da jogada, inclusive, deixando-a com a mão fraturada.

Todas com seus tênis nos pés, a corrida fica sem as estrelas principais de 2015. As protagonistas foram: Flora Duffy, Helen Jenkins, Jodie Stimpson e Ashleigh Gentle. Vendo isto, penso que ninguém gostaria de ter a árdua tarefa de decidir a equipe olímpica britânica feminina: Non Stanford e Vicky Holland já tem suas vagas garantidas pelas perfomances no Rio, mas a coisa “tá feia”, é muita gente forte!!!

Ao final, Stimpson lembrou sua velha forma correndo forte e concentrada, deixando Jenkins para trás e Gentle “roubou” um segundo lugar, depois de manter-se um pouco mais atrás durante a maior parte, correndo sólida e com um forte ciclismo na conta.

Grandes méritos também para Flora Duffy, forte e sempre melhorando, resultado de um duro trabalho numa atleta completíssima.

Agora os brasileiros: A capixaba Pâmella mais uma vez mostrou que é focada, que é pura raça e constante o tempo todo. Não é a posição que a torcida gostaria, mas merece palmas, chegou em 26º com uma corrida que não é o melhor dela, mas ainda assim à frente de grandes corredoras como: Ai Ueda; Anne Haug e Anja Knapp.

No lado masculino, Sclebin foi o único brasileiro e não teve a mesma constância de sempre, chegando em 41º lugar, mas, ainda assim, à frente de grandes nomes como Sven Riederer.

Já em Mooloolaba, prova curta (sprint distance), vimos um grande pelotão. Todo mundo junto e mais uma vez decidido na corrida. Mário Mola foi pra liderança e quando precisou, abriu distância e cruzou em primeiro. Destaque para João Pereira que havia feito uma corrida ruim em Abu Dabhi e estava de volta. No feminino, Stimpson “gritou” bem alto que quer a terceira vaga da equipe britânica, vencendo a prova, sendo seguida por Emma Moffat e Kirsten Karsper.

Quanto aos brasileiros em Mooloolaba, prova válida para a World Cup, o destaque ficou com Manoel Messias, campeão Júnior no mundial do ano passado, apesar da prova ter sido um duathlon, Messias conquistou um título inédito e está mais que no caminho certo. Em Mooloolaba, ele ficou na 10ª posição, com uma corrida de 15’07”, com o tempo final de 53’30” a, apenas, 35″ do primeiro colocado, Danilo Pimentel foi o 25º colocado com 54’07” e Reinaldo Colucci o 33º colocado com 54’20”.

Nenhuma atleta feminina do Brasil participou desta etapa.


O texto é de autoria de João Vitor Novaes e representa a opinião do autor. A AllTriNews não se responsabiliza pela opinião do mesmo.

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