POWERMAN BRASIL, DETALHES E DEPOIMENTOS DOS ATLETAS – VEJA COMO FOI

POWERMAN BRASIL – VEJAM OS DETALHES DA PROVA E OS DEPOIMENTOS DOS ATLETAS

O Powerman Brasil terminou a sua segunda edição sob muita polêmica de vácuo e erros de cronometragem e, cabe a nós, tentarmos descobrir um pouco mais do que ocorreu na prova, ouvindo as partes envolvidas e analisando alguns dados.

Mas antes de tudo, vale a pena contarmos, brevemente, sobre a história desta prova. O Powerman começou a existir deste o dia 4 de junho de 1989, na província de Zofingen, Suíça, quando os atletas encararam os 2.5km de corrida, 150km de ciclismo e, novamente, 30.5km de mais corrida. Na época, ainda chamado de Biathlon, a prova chamou a atenção de todo o mundo multesporte. Somente no ano de 1992 a prova foi denominada de Powerman e Powerwoman e, em 2002, a primeira corrida passou a ter 10km.

O Powerman ganhou notoriedade e cresceu pelo mundo afora com provas em diferentes distâncias. Este ano, o Powerman Zofingen faz 28 anos de existência e sedia o campeonato mundial da ITU de duathlon de longa distância.

No Brasil, o circuito Powerman está em sua segunda edição, na cidade de Florianópolis e contou com duas distâncias (5k/20k/5k e 10k/60k/10k), com a diferença de que na edição deste ano, o percurso do ciclismo teve uma modificação no trajeto, o que provavelmente, ocasionou muitas queixas e sendo apontado por diversos atletas como o principal motivo para o vácuo.

Neste ano, o ciclismo foi somente pelas rodovias SC 400 e SC 401, com 7 voltas numa pista de mão dupla estreita e com acostamento pequeno.

Percurso encurtado da edição de 2016. Fonte: www.powermanbrasil.com
Percurso encurtado da edição de 2016. Fonte: www.powermanbrasil.com

Na edição de 2015, podemos verificar na foto abaixo que o ciclismo teve uma perna muito maior.

Fonte: www.powermanbrasil.com
Fonte: www.powermanbrasil.com

Com toda certeza, este foi um fator preponderante para a formação de pelotões no ciclismo, gerando muitas queixas por partes dos atletas que viram-se prejudicados pelo vácuo, com muitos recursos sendo impetrados após a prova.

Entramos em contato com a organização para obtermos maiores esclarecimentos do ocorrido e sobre os recursos. Por meio da assessoria de imprensa eles responderam:

“Com relação aos protestos relacionados ao vácuo durante a edição do Powerman Brasil 2016, o que podemos dizer é que todos os pedidos foram analisados e as resoluções foram tomadas de acordo com a decisão de arbitragem da FETRISC! Os recursos foram analisados um a um e a decisão, conforme prevista em regulamento, foi tomada por um júri. Uma vez decidido, a organização do Powerman acata, cumprindo o que estava previsto em regulamento.
 
Todas as medidas visando coibir o vácuo foram tomadas e, conforme análise da arbitragem, os atletas que não estavam de acordo com as normas foram penalizadas e punidos. 
 
Como organizadores do evento, nossa obrigação era receber os recursos e encaminha-los aos responsáveis técnicos. Uma vez tomada a decisão, não cabe mais a organização interferir no resultado.

A PROVA MASCULINA

A vitória ficou por conta do triatleta Bruno Matheus que vem dedicando-se este ano às provas de longa distância. Ele considerou um bom resultado, principalmente pelo fato de estar focando bastante o seu tempo de treinamento no ciclismo: “Foi um bom resultado para mim. Eu tenho focado no ciclismo, que é uma das questões que tenho maior dificuldade. Porque eu sempre fui um atleta que correu o circuito mundial, sempre em provas no olímpico e com vácuo. Depois de 10 a 15 anos, mudar para provas no qual você ficará mais de 2h pedalando sem vácuo, o corpo demora um pouco para adaptar-se.”

Sobre a sua prova e o vácuo, Bruno comenta: “Fiz uma primeira corrida boa, mas não consegui acompanhar os primeiros. Talvez eu esteja um pouco lento ainda em relação a estar treinando para provas de fundo. O ciclismo foi bom para mim, era o que eu esperava, claro que teve toda aquela situação que vocês devem estar cientes, que o pessoal entrou com o recurso, mas é uma situação complicada, porque era um percurso estreito, com muitos amadores e com muitos retornos. O nível masculino é muito próximo e existem as estratégias de marcação que é uma coisa legal, respeitando-se os doze metros (…) Ao meu ver, eu estava respeitando a regras. Em boa parte do ciclismo fiquei marcando um atleta mais forte e várias motos passaram e não buzinaram ou não alertaram nada. Quer dizer que era visível que eu estava respeitando a regra.”

O terceiro colocado da prova, Francisco Viana Neto comentou sobre a sua prova também: “Fiz tudo o que planejei, tudo o que eu vim treinando e investi em equipamento, e em tempo. Para mim foi a prova perfeita em relação à estratégia de prova. Consegui correr próximo ao primeiro pelotão, assumi a liderança no ciclismo, faltou abrir uma vantagem no ciclismo sobre os adversários, mas pela questão do vácuo não foi possível e, assim, fazer a corrida final com uma vantagem sobre os atletas. Minha intenção era ganhar a prova, na forma justa, mas não ocorreu. Agora vamos recorrer para tentar mudar esta história.”

Na prova, como muito bem disse Viana, ele ficou atrás na primeira corrida, correndo para 34’07” e durante o pedal, seu ponto forte, ele conseguiu os ponteiros, assumindo a liderança no Km25. Viana salientou: “A cada atleta da elite que eu passava, com uma prova de vácuo proibido, o pessoal colava na minha roda. Eu estava num ritmo muito mais forte (…) Na terceira volta eu assumi a ponta, ultrapassando o Pedro Arieta. Assim que passei por ele, ele até assustou-se com o pessoal ultrapassando por ele na sequência, ficando indignado com a situação. Ele foi um dos poucos que respeitou a regra.”

Francisco Viana tentou alertar as pessoas e os árbitros para que tomassem alguma providência, mas somente um atleta foi penalizado: “Chamei a atenção para os árbitro de motos, gritei com o pessoal que estava assistindo a prova para fotografar, filmar, chamar a atenção dos árbitros e foi punido somente um atleta.” Viana marcou o pedal mais rápido do dia (1h29’06”).

Felipe Manente, outro triatleta profissional, também contou para nós sobre a sua prova: “Minha estratégia no Powerman era tentar administrar um pouco a primeira corrida, pois sabia que se usasse tudo nela, não pedalaria o suficiente pra disputar a prova na segunda corrida. Acabei tomando cerca de 3 minutos dos primeiros atletas e 2 minutos do grupo principal, mas sabia que a diferença da prova estaria no ciclismo. Eu fiz bem o meu papel na bike, o percurso ficou travado com 7 voltas de 8,5km cada. Fiz 286 de potência, o que considero forte e acabei tomando 4 minutos do grupo ponteiro. Sem dúvida alguma o vácuo entre eles atrapalhou bastante a prova. Mas de qualquer forma, eu não consegui correr a segunda corrida. Então, não adiantaria nada, mesmo que não houvesse o vácuo entre os ponteiros. Terminei na sétima colocação, mas sem stress, valeu o treino forte e a meta é o Ironman Wales daqui a 7 semanas.”

A PROVA FEMININA

A prova feminina foi bem concorrida. Carol Furriela assumiu a ponta da prova, marcando a primeira melhor corrida do dia (36’55”). Carol sabia que Mariana Andrade é um atleta com um ciclismo muito forte, por isso, Carol comentou conosco que deu cerca de 80% de sua capacidade nos primeiros 10k, para conseguir uma boa vantagem e não sacrificar o seu pedal.

No ciclismo de 60km, Mariana Andrade mostrou todo o seu potencial, fazendo o melhor ciclismo do dia (1h35’26”). Enquanto que Furriela marcou 1h43’36” e Sylvia Krüger 1h43’51”.

Para a segunda corrida, Carol Furriela tentou apertar o passo para alcançar a Mariana e, novamente, Furriela marcou a melhor corrida, mas agora sentindo um pouco o peso nas pernas, o que é comum numa prova de duathlon (40’21”): ““Fiz uma prova boa, mas o pedal da Mari decidiu a prova” disse Furriela. Mariana fez um bom trabalho nos últimos 10km e também fez uma corrida muito boa (40’53”), pouca coisa mais lenta do que a Carol.

Mariana Andrade comentou sobre a sua prova e seu bicampeonato: “Com grandes corredoras na prova, não poderia vacilar nos primeiros 10km, então procurei forçar bastante meu início de prova. Fui pedalar na 3ª colocação e desde o início fiz muita força. Na metade da 3ª das 7 voltas ultrapassei a Furriela. Porém, não poderia aliviar, pois a idéia era ter uma margem para a corrida final. Ao colocar o tênis para os últimos 10km, câimbras no quadríceps e panturrilha. Um susto, mas ainda bem que elas ficaram pela T2. Senti as pernas bem pesadas e travadas na 2ª corrida, o que era de se esperar para um Duathlon. Felizmente mantive quase o mesmo ritmo da 1ª corrida e pude conquistar a vitória! Estou super contente com a prova e com o bi-campeonato!”

Nayara Luniere foi a terceira colocada e conseguiu ultrapassar a Sylvia na corrida, comentando a sua tática de prova: “Eu queria fazer o primeiro 10km muito forte, para abrir o máximo possível de vantagem, pois sabia que a Mari teria um pedal muito forte. Esta era a minha ideia inicial. Não consegui aquecer direito e não encaixei bem na prova. Acabei por não conseguir fazer uma primeira corrida tão forte como eu queria (…) mesmo que eu tivesse um desempenho melhor, o resultado não seria diferente, pois a Mari e a Carol são atletas muito fortes e experientes, são atletas que eu admiro.”

PRIMEIRO AMADOR

O destaque da prova foi o primeiro amador geral e o sétimo colocado geral, Anderson Pantoja de Almeida, mais conhecido como Pará, pelos capixabas (vejam nossa matéria com ele antes da prova). Pará é conhecido por seu um forte corredor e tem obtido destaques em provas de duathlon no estado do Espirito Santo, onde reside e, no campeonato brasileiro de duathlon deste ano.

Pará correu muito bem a primeira corrida, marcando o melhor tempo entre os amadores (35’36”) e a sétima melhor corrida geral. Durante o ciclismo, pedalando sozinho, perdeu algumas posições para outros triatletas amadores e da elite. Nos últimos 10km, novamente, ele mostrou para o que veio, fazendo uma corrida de recuperação e marcando (38’28”), ou seja, a sétima melhor corrida do dia e a segunda melhor corrida entre os amadores.

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