Ezequiel Morales explica como fazer a transição numa prova de Triathlon

Ezequiel Morales, nosso colunista no Alldicas e Allrun, escreve este artigo sobre a transição, conhecida pelos especialistas como a quarta modalidade do triathlon. Veja com o Ezek suas experiências e dicas para você aprimorar a sua transição e sair para correr com inteligência.


Tudo mundo gosta de fazer uma transição rápida, eu gosto de fazê-la com calma.

Com calma não significa devagar, com calma significa com tudo sob controle. Isso vai desde os últimos metros da bike e até os primeiros metros da corrida.

E para ter controle, calma, nessa hora, na qual muitos se deixam levar pela empolgação transmitida pelos espectadores, prefiro lembrar que a prova é ganha por quem cruzar a linha de chegada em primeiro lugar e não por quem sai para correr forte demais e só dura poucos km nesse ritmo.

Vejo muitas vezes atletas, independentemente do nível e da distância da prova, que entram em desespero dentro da área de transição, outros entram todos travados sem se preparar nos últimos km da bike para enfrentar a mudança para a corrida. Inclusive o erro pode vir desde mais cedo, desde o momento mesmo de deixar tudo arrumado, ou desarrumado, no seu pequeno espaço, antes de dar início a prova.

Se começarmos pelo início, na hora de arrumar seus equipamentos, lembre-se que quanto menos coisas para fazer, para pensar, na hora da troca, mais limpa e rápida ela vai ser. Não faça do seu setor de transição uma área de camping, coloque só o essencial. Tomar alguns minutos a mais na preparação da T2, sim, pode nos economizar algo de tempo na hora de realizar a transição. Já realizou previamente o recorrido todo, desde a entrada na área, após a natação, indo até sua bike, olhando o caminho, olhando pontos de referencia, para uma melhor visualização?  Isso também faz parte dos preparativos não só do seu material como também do percurso. Errar de corredor, passar na frente da sua bike e não ver, ficar procurando ela indo e voltando, nessa hora, já era, nadou muito bem, mas perdeu o grupo com quem tinha saído da agua.

Já pedalando e nos últimos km da bike já devemos preparar como vai ser o descalce e os primeiros metros de corrida. Faltando 1 ou 2km, é importante começar a utilizar uma marcha mais leve, ajudando assim a soltar as pernas, mais se você é um de aqueles atletas que pedala com marchas pesadas, aumentar um pouco o rpm vai te deixar com a musculatura das pernas mais solta. Não que é para colocar o pratinho, mas sim um dente a mais no cassete, com isso já será suficiente.

Em provas curtas, sprint e olímpico, se seu nível é bom, se você é bastante rápido, e a transição deve ser em boa velocidade para não perder muitos segundos, aconselho testar nos treinos de transição a descer da bike na mesma velocidade na qual você vai continua correndo. Claro que sua descida da bike tem que estar bem trabalhada. Vamos a um exemplo; se você é um corredor de 4´/km, estaríamos falando de uma velocidade de 15km/h. Nos metros finais da bike, você teria que estar desmontando da bike, na mesma velocidade na qual sairia correndo. Se você fosse é um atleta da ITU, seguramente essa velocidade seria próximo dos 20km/h, mas se você não tem muita experiência, melhor diminuir bastante, um tombo nessa hora pode ser muito mais prejudicial que a intenção de quer ganhar alguns segundos.

Como falado acima, costumo colocar uma marcha um pouco mais leve, para aumentar meu rpm nos km finais, últimos 2 ou 3km, assim consigo ter uma sensação de pernas soltas para descer da bike com maior capacidade para manter uma frequência alta de passadas. Falando em números, muitos triatletas pedalam com um rpm entre 85-90, alguns entre 90-95 e poucos acima de 95. Mas na saída da corrida começam rápido e com uma frequência de passadas acima do ideal para cada um, o que vai dar uma posterior queda no ritmo passado o km 1 ou 2.

Na hora da corrida até o ponto onde vai deixar sua bike, você já deve começar a focar no local, no seu material, que previamente já deixou arrumado em ordem a ser utilizado com prioridade. Gosto de deixar meus tênis um pouco abertos, para facilitar na hora de calçar, e por baixo deles o cinto do numero e a viseira, assim uma vez que calcei os tênis já posso pegar o restante do material e começar a corrida, sem perda de tempo.

Alguns erros que surgem na corrida começaram na T2. Não coloque vaselina demais dentro do tênis, jamais coloque na palmilha (já vi isso), se deixou meia para colocar, não esqueça, use, e não por ficar apressado em ganhar segundos acaba não colocando, lembrando disso na metade da corrida quando as bolhas já atrapalham de mais.

Se deixou algum gel para levar na corrida, não esqueça, deixe dentro do tênis assim quando for calçar já o pega . Na hora da corrida vai sentir falta dele, e se não sentir falta, melhor levar demais do que não ter quando a necessidade aparecer. Em dias de chuva o material vai ficar muito tempo exposto até você nadar e pedalar, para proteger e evitar que o tênis fique muito encharcado podemos colocar uma sacola de plástico por cima, cobrindo assim da chuva, mesmo que depois de colocado ele vai se molhar, dar inicio a corrida com o tênis seco é bem melhor que pegar logo ele todo molhado e pesado, com o risco de machucar mais facilmente o pé, já que o pé precisa de alguns minutos, assim como todo o corpo, para habituar-se com a mudança do apoio da sapatilha da bike com os apoios do tênis no chão.

Em provas longas do tipo meio ironman e ironman ou em distâncias similares. As transições, a preparação para a corrida pode ser mais lenta, inclusive com a possibilidade de poder ficar sentado. Costumo falar para fazer a troca de material com calma, mas não por isso tem que ficar olhando ao seu entorno tirando um raio-X de tudo o que acontece. Foque no seu material, faça sua transição e não a dos outros, já vi atletas pegando alimentos, que não estavam dentro do seu planejado, só porque viu outro atleta fazer, depois de vários km teve que jogar fora já que percebeu que não ia utilizar, ou seja, perdeu o foco. Seja seguro nas suas coisas, seja consciente do que você precisa e treinou.

A ideia era falar da corrida e até agora só falei de considerações importantes que podem influenciá-la, sobretudo, nos primeiros metros. Porque um atleta ganha quando atravessa em primeiro lugar na linha de chegada, mas ele pode perder a vitória muito antes, inclusive no inicio mesmo da terceira e última etapa da prova.

P.S: na próxima matéria falarei especificamente do início da corrida e em como ela pode ser crucial para você encaixar no seu ritmo ou jogar no lixo o restante dos km.

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