Ezequiel Morales explica como fazer a maratona do IronMan

728X90Ezequiel Morales, nosso colunista no AllRun, escreve sobre sua experiência de quem já venceu 2x um IronMan, entre eles, um IronMan Florianópolis (2012) e possuir uma das melhores corridas entre os triatletas profissionais de sua época. No texto você encontrará algumas dicas de última hora que o ajudarão a vencer a maratona do IronMan Florianópolis. 


Como eu conseguia correr bem as maratonas dos Ironman? Se quiser posso te ajudar para você também fazer uma boa corrida.

Apoio-me sobre três pilares: o primeiro é com o treino, coisa que já não dá tempo de fazer, corrigir ou melhorar; o segundo na alimentação, e estou acreditando que já programou tudo, acompanhado do nutricionista ou do seu treinador, e também não seria bom mexer no que vem treinando há vários meses; e, o terceiro pilar, é sobre a corrida em si mesma e é aqui onde acredito poder ainda te dar uns conselhos, ou pelo menos, passar a minha experiência própria para você concretizar o que treinou.

Nunca me preocupei por entregar a bike na frente do grupo no qual encontrava-me, deixava que eles finalizassem no seu ritmo, eu até diminuía um pouco, lá pelos últimos 10-15km e aproveitava para fazer a última ingestão de carboidratos, sabendo que esta seria a minha última boa refeição do dia. Imaginando que durante a corrida fica muito difícil mastigar e até hidratar-se em boa quantidade, sem pelo menos ter que andar, coisa que evitava ao máximo ou fazia já como última alternativa. No meu caso, segundos perdidos era tempo que depois deveria recuperar nos seguintes km, se o meu objetivo próximo encontrava-se pela frente – entenda isto como adversários que ainda não tinha alcançado.

Uma vez feita a transição e com os pé no asfalto, imaginava minha prova dividida em três momentos. Até o km 25 aproximadamente, do km 25 ao km 35 e, os últimos 7km, no qual o maior foco estaria na linha de chegada.

Aquele primeiro trecho, aquela primeira etapa, a considerava fácil energeticamente, com as pernas boas, sentindo um pouco apenas o esforço do pedal, mas com um grau importante em quanto ao ritmo a ser levado desde o inicio. Fica fácil começar a corrida além do que podemos dar, isso impulsionados pela emoção de ter começado uma nova etapa, pelo início dos primeiros km rodeado de pessoas animadas, torcendo e jogando nossa energia mental a níveis altos. Quem conhece o evento sabe que nos primeiros km o aglomerado de torcedores é grande, trecho que também é percorrido no final da primeira volta longa, a de 21km, e onde novamente aqueles que torceram no início fazem seus esforços para nos transmitir todas suas energias. Entendendo isto, sempre me preocupei por ter um início calmo, com a sensação de estar devagar, sentindo que o restante dos atletas estavam mais fortes do que eu, inclusive, já foi ultrapassado por outros atletas profissionais nesse início da maratona, mas nessa hora a cabeça tem que mandar mais que o orgulho e continuar com o plano próprio, com o meu ritmo, com o seu ritmo. Quem fez o dever de casa e treinou direitinho não vai ter problemas para encarar essa primeira volta de 21km e mais um pouco, até sair da Búzios, deixando para trás aquela avenida que se assemelha a uma arquibancada colorida com bandeiras, apitos e matracas.

Após deixar aquela passarela, a prova torna-se algo mais solitária, onde entramos no segundo trecho. As pernas já não estão tão boas, começam a pesar e a energia mental não está alta. É aqui onde quem treinou já se distancia km a km de quem começa a comprometer-se a treinar mais para o próximo ano e a olhar cabisbaixo para o asfalto, tendo-o como principal companhia, também, o preço como a ser cobrado de quem iniciou a maratona num ritmo forte ou tentou  acompanhar outro atleta que ia segundos mais rápido, só pela  pela companhia, ou pior, achando que estaria ganhando tempo que no final da prova fariam grande diferença, mas que nesta altura dos km a diferença é que já não pode manter o mesmo ritmo do inicio. Aqui a maratona realmente inicia: a partir dos 25km, é onde aparece o verdadeiro corredor, que fez tudo direitinho, treinou e soube respeitar seu nível, seu ritmo desde o início.

Pelos próximos 10km, vai ser duro de manter a concentração, o desejo de acabar chega logo, mas também pode tornar-se o momento ideal de recuperar colocações. Agora sim você pode tentar aproximar-se daquele que está à sua frente. É para mim o momento de maior dureza mental, é a cabeça que deve estar no comando do esforço. É o jogo entre o golpe da dor contra o desejo da meta.

E, finalmente, depois de horas, chegamos aos últimos km da maratona e da prova. Momento que praticamente definiu o seu desempenho. É bom estar feliz, o sorriso não é grande (se abrir de mais a boca pode até dar câimbra nos maxilares), mas a alma encontra-se repleta de alegria. Se foi mal, a alegria está presente na conclusão de mais um Ironman. E, se você é um daqueles que brigam por uma vaga, ou por melhorar o tempo final, chegou a hora de competir com o coração, manter aquele sonho que o levou até aí, porque uma coisa eu tenho certeza por já tê-la vivido: nessa hora já não temos mais energia, nem física e mental, só nos resta manter o desejo vivo!!!

ezekteam


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