Diogo Sclebin inicia mais um novo ciclo olímpico na 2018 Huatulco ITU World CUP

Foto: ITU Media.

Diogo Sclebin inicia mais um novo ciclo olímpico na 2018 Huatulco ITU World CUP

Conversarmos com Diogo Sclebin sobre o seu novo ciclo olímpico que se inicia neste final de semana no México. Ele fala da sua motivação em estar competindo e das dificuldades que tem para competir em alto nível nas provas da ITU.

Neste final de semana o Brasil começa a corrida para os jogos olímpicos 2020. O triathlon brasileiro estará com nove atletas na prova mexicana. Dentre os nove atletas, Diogo Sclebin se destaca pela experiência adquirida ao longo dos 20 anos de carreira. Ele está muito motivado para a próxima temporada, como ele mesmo aponta“Fiz 36 anos em maio. Claro que a idade pesa um pouco, mas hoje me sinto mais leve, estou na fase mais leve da minha carreira. Eu tinha cerca de 81kg até 83 kg, mas hoje eu estou entre 78kg e 79kg. Isto faz uma grande diferença na corrida. Estou com uma corrida muito boa para o que eu estou acostumado a fazer nestes 20 anos de carreira. Isto está me deixando muito motivado para eu poder correr atrás de mais um ciclo olímpico que se inicia para mim agora no México.”

Mas nem tudo é mil maravilhas. A idade não pesa para o Diogo, porém o que pode atrapalhar é a dificuldade financeira para poder competir com os melhores do circuito mundial. “Minha maior dificuldade para este ciclo olímpico que se inicia agora não é a idade. É a dificuldade financeira para competir nas etapas que pontuam para o ranking olímpico.” 

Além disso, Sclebin vê de forma positiva o Panamericano de Triathlon que irá acontecer, no Brasil, em Brasília, no dia 23 de junho. “Este ano o Brasil tem provas da ITU. Haverá o Panamericano em BSB, o que é extremamente importante. É uma prova que pontua muito para o ranking olímpico. É a única prova do Brasil que irá pontuar para este ciclo olímpico até as olimpíadas de Tóquio 2020.”

Foto: Delly Carr/ITU Media.

A felicidade do triatleta não se resume somente pelo fato de o Brasil sediar os eventos da ITU, mas em poder competir em alto nível dentro de casa. Isto é vital para o triatleta com pretensões olímpicas. Conhecer a intensidade do circuito é fundamental. “Uma coisa que vejo para a gente do Brasil é a dificuldade de ter acesso às competições do nível da ITU. Só numa etapa da copa do mundo é que você consegue sentir o que acontece e o que precisa melhorar. Por mais que treine ciclismo na sua cidade com ciclistas, a vivência na competição, na velocidade e intensidade da competição não é a mesma. Isto é fundamental para se obter bons resultados. Só quem participa destas competições consegue sentir o drama.” E salienta: “É legal ver que a confederação está conseguindo levar quase dez atletas para esta prova no México. E com certeza virá bons nomes estrangeiros para o Panamericano de Brasilia.”

E com todo este tempo de triathlon, Diogo é um dos atletas mais experientes na atualidade no triathlon mundial. São 105 provas na ITU. Com certeza um ponto a favor para a CBTri que levará jovens triatletas para México e, ao mesmo tempo, levando a experiência de um atleta olímpico. “Acredito que o trabalho de troca de experiências venha a acontecer nesta viagem, caso a gente continue levando os mais velhos junto com os mais novos. Já que muitos vezes, os mais novos nasceram no ano que eu já fazia triathlon. A disparidade de idade é muito grande. Acaba que a experiência é diferente e eu tenho coisas para passar, principalmente a tranquilidade antes da prova. A vivência e o conhecimento do percurso. Como agora no México que será a minha sétima participação e a décima sexta no país.”

Para a edição deste ano, a prova mexicana será na distância short e os atletas não vão encarar a enorme subida no ciclismo. Com certeza mudará toda a tática de prova. Sobre isso, destaca o triatleta olímpico: “O principal desafio com certeza é o calor. Mas este ano a prova será um short distance. Então a prova muda muito. Muda até para um lado que eu não gosto, pois me dou melhor em provas mais longas. Além disso, a grande subida, uma ladeira enorme no ciclismo, que passamos várias vezes, este ano também não vai ter. Então torna a prova um pouco mais junta. Todos provavelmente irão sair agrupados para a corrida.”

Foto: ITU Media.

E este tem sido o tom das provas da ITU. Rápidas, curtas e intensas. Um verdadeiro show de velocidade. Deixando quase sempre para os últimos metros a decisão da prova. Para estar no grupo da frente, Diogo apontou em nossa conversa da necessidade do triatleta da atualidade ser forte nos primeiros 300m da prova. “As pessoas me perguntam: Quanto você faz nos 1500m nadando? Quanto você faz nos 750m nadando? Eu falo que isso não importa. O que importa é a primeira boia. A intensidade que fazemos até a primeira boia é muito forte. Nós temos que ter uns 300m muito forte.” E continua: “Eu diria hoje que um triatleta da ITU para as distâncias olímpicas ou short não teria que ter um 1500 ou 750 bom. Ele tem que ter uns 300m muito forte para depois poder sustentar na esteira. O ritmo com certeza depois vai cair, mas é necessariamente importante poder passar na primeira boia muito bem. Todos que chegam até ali na décima colocação chegam muito apertado, enquanto que o primeiro passa na primeira boia e perde apenas uns 2 segundos. Por outro lado, o vigésimo nestes 5m de contorno de boia, perde quase que 10 segundos, pois pega um congestionamento enorme.”

Além do Diogo Sclebin, integram a seleção brasileira nessa etapa: Manoel Messias, Kauê Willy, Luísa Baptista, Bia Neres, Danilo Pimentel, Anton Ruanova e Matheus Diniz. Campeã da primeira etapa do Brasileiro de Duathlon, Clara Carvalho também representará as cores do Brasil na categoria Sub23.


Por Erik Coser, editor da Revista Alltrinews. Revisão Alessandro Frizzera, editor da Revista Alltrinews.

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