Bate-papo com Leandro Macedo – Ícone Brasileiro do Triathlon

Foto: Alessandro Frizzera

Bate-papo com Leandro Macedo – Ícone Brasileiro do Triathlon

O nosso editor Alessandro Frizzera esteve em Brasília-DF e acompanhou um pouco da rotina de Leandro Macedo. Atualmente com 50 anos, Macedo nasceu em Porto Alegre e se mudou para Brasília-DF ao seis anos de idade. Aos 17 anos entrou no atletismo, no ano seguinte conheceu o triathlon ao qual se manteve treinando e competindo profissionalmente por aproximadamente duas décadas. 

Leandro Macedo possui diversos títulos importantes na carreira esportiva, ao qual podemos destacar: heptacampeão brasileiro; campeão do primeiro circuito mundial da ITU em 1991; medalha de ouro nos Jogos Pan Americanos de Mar Del Plata e eleito o “Melhor do Esporte” pelo Comitê Olímpico Brasileiro em 1995; terceiro colocado no circuito mundial da ITU em 1996;  ouro nos Jogos Sul-americanos do Rio de Janeiro em 2002; competiu pela Seleção Brasileira nas duas primeiras olimpíadas do triathlon (2000 em Sidney e 2004 em Atenas). Eleito “Atleta do Século” pelo COB em 2003.

Momentos da Carreira – Circuito Mundial e Olimpíadas:

“EUA e Austrália dominavam na época e foi até bom eu como brasileiro ter ganho o circuito da ITU em sua primeira temporada. Mostramos para o mundo que o triathlon era praticado em outros países, fortalecendo o esporte para ingressar nos Jogos Olímpicos. Tentamos em 1996, mas a primeira olimpíada do triathlon aconteceu apenas em 2000”. 

Leandro era um dos melhores corredores do circuito na década de 90. Em 1995 e 1996, ele levou o tempo de corrida do circuito da ITU para outro nível, provando ao mundo que era possível correr sub-31′ nos 10km na última etapa da prova.

Leandro conquistou o bronze no Campeonato Mundial de Triathlon em Cleveland – USA de 1996!

Nas Olimpiadas de Sidney – 2000, o Brasil foi representado no masculino por: Leandro Macedo, Juraci Moreira e Armando Barcellos. Leandro ficou em 14º lugar (melhor atleta sul-americano), sendo o melhor resultado brasileiro (masculino) obtido no triathlon em olimpíadas.

Transição do Triathlon do Circuito Mundial para os anos atuais:

As provas eram sem vácuo, fazíamos um contra relógio no ciclismo até 1995. Em 1996 liberaram o pelotão. Nesta transição muita gente boa ficou desestimulado e largou o esporte. Se escutava muito que tinha perdido a característica, a essência do triathlon, que não precisava mais pedalar, apenas nadar e correr. Ficou esta polêmica por algum tempo, mas hoje o que você vê não é mais assim, o triatleta tem que ser completo, forte nas três modalidades“.

“Na minha época era difícil achar um triatleta completo, não nascia um triatleta, você vinha de outro esporte e sanava as deficiências. Alguns nadavam muito bem, outros pedalavam, e alguns corriam muito forte. Eu tinha mais facilidade para corrida. Hoje, a principal diferença é que o triatleta tem que ser completo para obter bons resultados.”

ITU Triathlon World Cup 2003 – Rio de Janeiro

Mundial 2018 – Grand Final em Gold Coast – Austrália:

Em 1991, Macedo obteve o 5ª lugar geral na última etapa do circuito, consagrando-se o 1º campeão do circuito mundial. Esta prova foi realizada em Gold Coast, mesma cidade da “2018 ITU World Triathlon Grand Final”. Macedo esteve presente em Gold Coast, Sudeste de Queensland recentemente, acompanhou as provas e alguns atletas, como Thiago Canabrava e Gabrielle Lemes. Gabrielle competiu na categoria Júnior com apenas 16 anos contra atletas de até 19 anos. Canabrava competiu na 18-19 anos (distância standard).

São atletas em formação, eles são disciplinados e comprometidos, O que acho muito importante. É um trabalho a longo prazo.”

Canabrava mora em Brasília-DF e acompanho ele desde os seus 14 anos. Teve uma evolução grande. O nível da prova este ano foi mais alto que em Rotterdam (mundial em 2017) e ele melhorou os tempos e o resultado, obtendo o 8º lugar na categoria.”

Gabrielle faz parte de um projeto de alto rendimento no Paraná, tem o técnico Ricardo Junior Cardoso atuando presencialmente e eu presto consultoria para esta equipe do projeto. É uma atleta que visa o alto-rendimento, é raçuda, tem muita garra e maturidade competitiva.

Foto: Alessandro Frizzera – Gabrielle Lemes na Copa Brasil de Manaus em 2017

“Eu gosto muito de trabalhar com esta faixa etária, atletas em formação, ao qual preparamos para se tornar competitivo, tanto fisicamente quanto mentalmente. Minha filosofia é motivarmos para que eles criem a disciplina naturalmente. Motivados, o trabalho do dia a dia não será sacrifício.”

“Na minha época não tinha psicologia desportiva. Meu caminho foi através da meditação. No dia 1º de janeiro de 1991 ás 6h da manhã comecei a meditar.  Todo mundo curtindo o réveillon e eu fui dormir cedo para praticar meditação. Em alto nível o atleta tem que estar fisicamente e mentalmente preparados.  Conhecia e competia com atletas fortes, com potencial físico melhor do que o meu, que aparentavaM ter toda a energia nos treinos, mas não conseguiam transferir os 100% nas provas.”

Foto: Alessandro Frizzera – Leandro Macedo acompanhando o treino de duathlon no Parque da Cidade – Brasília-DF

Leandro Macedo tem um grupo de triathlon em Brasília-DF, presta consultoria para equipes e trabalha com treinamento a distância.


Entrevista realizada por Alessandro Frizzera, editor da Revista Alltrinews.

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