Ansiedade pré-prova – Reflexões de uma psicanalista.

Inscrição feita para a prova. Investimento em equipamentos, nutrição, treinador etc. Sua vida ficou de ponta a cabeça, dividida entre treinos, família, trabalho e vida social e, num piscar de olhos, a semana da prova chegou. E surgem as incertezas.

Treinei o suficiente? Conferi todos os equipamentos? Qual a previsão do tempo para o dia da competição? Cruzo a linha de chegada de acordo com o meu tempo estimado? E outras tantas mais dúvidas junto com aquela insônia, falta de ar, coração acelerado, frio na barriga.

Estes sentimento são sinais da “ansiedade pré-prova”. Como uma psicanalista e triatleta amadora, experimento estas sensações e, creio, que posso contribuir um pouco para você entender e diminuir.

A ansiedade é uma característica típica do homem contemporâneo. É um estado psíquico de expectativa diante de um evento futuro, seja bom ou ruim. No senso comum, a ansiedade costuma ser definida como angústia. Porém, a angústia vai além da ansiedade: ela não se resume a uma sensação, mas invade o corpo e como uma certeza absoluta para o sujeito.

A psicanálise ensina que a angústia não é um estado, mas uma condição existencial que se coloca para todos e diz respeito à sensação de impotência frente ao nosso sofrimento. O medo da morte, a necessidade de fazer escolhas que implicam em perdas e a ausência de um saber que responda a todos os nossos enigmas fazem parte da nossa dor existencial e por isso são nossas eternas fontes de angústia.

Mas afinal, o que um psicanalista poderia dizer quando o coração acelera, a respiração encurta e o caminho até o banheiro químico parece mais longo do que o percurso da bike?

Aposte e confie em tudo que fez desde o treinamento e o que fará até cruzar a linha de chegada. Jamais se prenda às expectativas que os outros depositam em você. Não caia no erro de atender às demandas dos outros.

Sabe aquele ditado: “tá no inferno, abrace o capeta”? Já que não existe escapatória, não brigue com a ansiedade e com a angústia quando elas resolverem te invadir, mas faça um bom uso delas! Afinal, todo atleta numa competição, no mínimo, quer atravessar o pórtico de chegada.


Paula Lampé Figueira é psicóloga, psicanalista membro da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória, triatleta amadora e autora do perfil no Instagram @atletanodiva

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